Há anos um assunto está engasgado em minha garganta. Como muitos amigos dizem que falo demais, preciso desabafar por aqui. haha
Digamos que eu não tenho experiência com relacionamentos de longa duração. Os fatores são os mais diversos de acordo com a pessoa e/ou com a fase que eu atravessava no momento. Porém, o assunto é a atitude de certas pessoas – homens e mulheres – quando o assunto é o coração.
Relembrando estranhamente alguns ex´s meus, decidi falar aqui das cicatrizes (quase) eternas deixadas em seus ex-parceiros. Posso dizer com convicção que muitos ex´s meus são, carinhosamente, chamados de ex-crotos. Graças às atitudes deles, chegamos a certos momentos a querer gritar (e muitas vezes gritamos, por que não?): “Homem não presta!”, “Mulher é tudo louca!”. Quem nunca pensou/falou isso que atire a primeira pedra.
Certo dia, durante uma enquete (gay adora enquete), perguntei aos meus amigos que porcentagem de romantismo eles viam em mim. Numa escala de 0 a 100%, eles poderiam dar suas opiniões. O resultado variou entre 60 e 100%. Parei para repensar minhas atitudes com os homens e lembrei daquela frase: “Bonzinho só se fode”. Pois é. Uma amiga já havia me dito que não me considerava tão romântico pelas minhas atitudes com certos ex-ficantes. E é nesse ponto que vou tocar agora.
Sempre fui – e me abstenho do meu marketing pessoal aqui, que fique claro – um cara super sensato com os caras que eu me relaciono. Muitas vezes, abdico de coisas para não fazê-los sofrer, pois já passei por certas decepções e sei que o coração é um órgão muito delicado e vulnerável. Só que, depois de diversas decepções amorosas, percebi que vários dos ex-crotos, por ironia do destino, voltavam, se arrependiam e eu tinha a oportunidade de dar o troco.
Uns enxergavam esse meu rebate como uma atitude infantil, já que a indiferença ainda é – admito – a atitude mais eficaz. Porém, sinto que estou prestando uma espécie de serviço às pessoas que se envolverem futuramente com essas pessoas que passaram pela minha vida. Até porque muitos seres humanos só aprendem com a dor. Precisam sentir na própria pele o que fizeram com outras pessoas. Assim – pelo menos é o que eu acredito – pensarão duas vezes antes de repetirem com outras pessoas o que me fizeram passar. Se não mudarem e continuarem usando seres humanos como coisas descartáveis, então valeu o doce gosto da vingança. Meu peso na consciência jamais virá.
E, finalmente, chego ao ponto que queria. As pessoas têm tratado umas às outras de modo incompreensível aos meus olhos, com atitudes que me pergunto: “Gente, isso é um ser humano? Como conseguem agir dessa forma?”. Só que o que essas pessoas (talvez) não percebam, é que tratar o outro como um lixo tem seus reflexos ainda mais prejudiciais. Torna-se um efeito dominó, em que as inseguranças criadas por causa de uma relação frustrada tornam os seres humanos inseguros, incapazes de se entregar a outrem com o temor de que a história se repita. E daí vem a fase estou-descrente-de-seres-humanos, em que ninguém parece valer a pena, ninguém aparenta ser uma pessoa que se preocupa, que pode dar e receber amor, que pode fazer o outro chorar lágrimas de felicidade e não de tristeza. Tomamos as exceções pelo todo. Mas aí alguém me diria: “Mas todos eles têm me magoado!“. Ok, se todos têm lhe feito sofrer, saiba que existem as exceções. Não sou uma Pollyana, mas se perdermos as esperanças em algo, de que vale? É ela que nos impulsiona a seguir em frente.
Costumo dizer que para qualquer relacionamento poder engrenar, são necessárias 3 coisas de ambas as partes: afinidade, química (ou física, depende de seu ponto de vista) e disponibilidade. Se um desses falhar de qualquer um dos lados, as chances são ínfimas.
Basta imaginar: você conhece aquela pessoa cujo sexo te leva a ver galáxias desconhecidas, o papo é delicioso, porém a pessoa ainda é apaixonada pelo ex.
Ou os dois estão à procura de alguém, amam dividir suas afinidades, mas não se sentem atraídos fisicamente.
Há ainda a terceira, em que estão dispostos a namorar, querem ser um só durante uma transa deliciosa, mas não têm afinidades e depois daquele sexo maravilhoso ficam sem assunto.
A meu ver, afinidade, atração e disponibilidade PRECISAM caminhar juntas.
Porém, quando os três fatores citados no parágrafo acima estão completos e devidamente catalogados, existe ainda um fator criado geneticamente em laboratório. Sim, os traumas causados por aqueles ex-crotos que citei acima.
Claro que tais inseguranças podem entrar na categoria disponibilidade mas, mesmo disposta, a pessoa ainda enxerga na atual uma possibilidade de se decepcionar, como aconteceu com aquela do passado. E aí o problema vira uma bola de neve, que atrapalha o que poderia ser um relacionamento gostoso e saudável.
Tenho casos de amigos meus – e casos pessoais também – em que as feridas deixadas por um relacionamento falho marcaram (e muito!) certas pessoas. Insuperáveis, até. A crença de que o amor não existe, de que as pessoas não são confiáveis e que podem a qualquer momento deixar mais uma cicatriz (no corpo e na alma). Portanto, cuidado com os sentimentos humanos: seus e dos outros.
Se você sofreu por amor, não desista. Nem todos serão iguais àquela pessoa que tanto te magoou e você pode estar perdendo a chance de dividir algo delicioso com alguém por uma insegurança de algo que passou. Afinal, pensar no que aconteceu pode impedir que você vivencie o que ainda poderá acontecer na sua vida.
E se você sente que está magoando (ou prestes a magoar alguém), cuidado. As pessoas não são descartáveis. Brincar com os sentimentos de alguém trará riscos a curto e longo prazo e afetarão muitas pessoas. E, ainda por cima, você pode sentir na própria pele o que fez tal pessoa passar e perder a chance de ter um relacionamento com alguém genial por mera estupidez sua.
Afinal, a ferida deixada pode se regenerar. Mas a cicatriz está lá, visível a olho nu ou não. E pode coçar durante toda uma vida.


