Heey, pessoal. A partir de hoje, terei uma pequena coluna aqui n´A Oficina do Desapego. Meu nome é Leonardo Freitas. Jornalista e gay quero tentar oferecer um pouquinho da minha experiência em relacionamentos com homens e mulheres para que os leitores aprendam com meus erros (e acertos, também, né?). Quando digo mulheres, refiro-me à minha fase “hétero” em que lidei com o sexo oposto, além da experiência infinita e além de ouvinte de amigas, colegas, conhecidas e, por que não dizer, papos ocorridos em pontos de ônibus, filas de baladas ou apenas um ouvido atento em conversas de desconhecidas em locais públicos. Em relação a homens, é mais do que óbvio: sou homem, sei como funcionamos (claro, com certas exceções) e me relaciono com eles. Quer dizer, eu tento.
Todos os relacionamentos têm problemas. Lidar com o ser humano é, apesar de complexo, maravilhoso. E a base de qualquer relacionamento (seja amigos, família, trabalho, amantes) é sempre o diálogo, a comunicação que faz de nós seres pensantes, que chegam a um consenso. De que adianta um namorado delicioso, que faz com que você tenha vontade de fazer o Kama Sutra em todos os idiomas, se ele não abre espaço pro diálogo. E quando falo em diálogo, não estou falando de discussão de relação. Muitos homens não gostam de discutir o que há de errado e vão empurrando o problema com a barriga. Porém, também sei que mulheres são capazes de uma grande discussão caso ele não tenha notado que ela cortou dois dedos no cabelo e mudou de castanho alaranjado para castanho acaju número 2. Ninguém é inocente nesse jogo.
Nós, gays, temos uma certa vantagem nisso, pois lidamos “iguais”. Se um cara não liga no dia seguinte, isso não é o fim do mundo para o sexo masculino. Duas mulheres que namoram, entendem que TPM não precisa ser um bicho de sete cabeças. Porém, isso não nos isola dos problemas que qualquer pessoa tem com outrem.
Quem assistiu “Romance”, do Guel Arres, lembra da teoria que a paixão dura apenas 3 anos, transformando-se em amor após esse período. Assistindo a um profissional na TV Cultura outro dia, que falava de amor, ele tocou num ponto interessante: suadeira, frio na barriga, tremedeira, fraqueza nas pernas, são todos sintomas do medo. Aquilo que classificamos de “paixão” é, na verdade, medo do que está por vir no começo de um relacionamento. Porém, quando o medo passa e criam-se laços, afinidades, segurança com a pessoa, essas sensações passam – afinal, o medo passou -, e as pessoas acham que acabou a paixão e põem um fim na relação.
Muitas coisas passam: paixão, tesão, a sensação de novidade, o primeiro encontro, desvendamento da pessoa aos pouquinhos e toda aquela coisa que adoramos por serem novidades. E o que fica (ou deveria ficar)? Aquela pessoa que gostamos de estar perto, dormir de conchinha, sentar pra ver um filme na TV num dia chuvoso, conversar. Arrisco-me a chutar a estatística de que 90% dos relacionamentos terminam com a frase: “Ele não conversava comigo, não me ouvia”. Estou errado?
Muitos gays sabem ouvir, escutar o que as mulheres (e por que não dizer os homens, também) têm a dizer. Procuramos o tipo de pessoa que, depois do seu dia de trabalho, lhe recebe com um sorriso e diz: “Como foi seu dia?”.